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FENAE
Começa na Argentina 3ª greve geral contra governo de Macri
Transporte público deve ser o mais afetado. Para o governo, os motivos do protesto são políticos

Começou à 0h desta segunda-feira (25) a 3ª greve geral contra a política econômica do governo de Mauricio Macri, que deve contar com uma forte adesão dos trabalhadores do transporte público. Para o governo, a paralisação é política.

Os organizadores do protesto calculam que pelo menos 1 milhão de trabalhadores devem aderir à greve, convocada pela peronista Confederação Geral do Trabalho (CGT), que agrupa os principais sindicatos da Argentina.

A greve causou efeitos para os passageiros de companhias aéreas do Brasil. A Latam e a Gol anunciaram o cancelamento de seus voos para Argentina. Pelo menos um voo da Latam que partiria voo de Brasília foi cancelado. Outros 4 voos que sairiam de Buenos Aires até Porto Alegre, ou que tinham como destino a capital argentina, foram cancelados nesta segunda-feira.

Os metrobus das grandes cidades (carros especiais para o transporte público urbano) permanecem desertos desde meia noite e apenas circulam táxis pelas ruas.

A circulação de caminhões é quase inexistente, de acordo com a agência Efe. Em Buenos Aires, também não funciona o trem de mercadorias que liga os setores do porto.

Os portos e aeroportos, as estações e linhas de ferrovia, as entidades bancárias, os escritórios, hospitais (exceto urgências) e escolas de caráter público, os serviços de coleta de lixo e postos de gasolina também serão afetados pela greve.


Convocação


O protesto, convocado pela CGT, ganhou o apoio da Central de Trabalhadores da Argentina (CTA) e da CTA-autônoma, uma das divisões da CTA.

Embora a convocação da CGT se limite a uma paralisação das atividades, sem manifestações, setores mais radicais anunciaram que pretendem bloquear os acessos à cidade de Buenos Aires com mobilizações.

Os sindicatos desejam o reinício das negociações de ajustes salariais deste ano, para um alinhamento com a projeção de inflação, calculada agora pelo Banco Central em 27%.

As negociações que aconteceram em sua maioria no início do ano utilizaram como referência a meta de inflação anual de 15%.

Para tentar retomar o diálogo com os sindicatos, o ministro do Trabalho, Jorge Triaca, afirmou desejar que as negociações salariais aconteçam livremente.

Esta greve geral na Argentina é a terceira em 15 meses contra o governo de Macri. As outras duas foram convocadas em 6 de abril e 18 de dezembro de 2017.


Crise econômica


Os sindicatos da Argentina se opõem ao acordo firmado pelo governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) devido ao agravamento da situação econômica do país.

"A greve é contra o programa econômico, para que se abandone esta linha de ajuste permanente. O FMI sempre trouxe penúrias aos argentinos", disse à AFP Juan Carlos Schmid, dirigente da CGT.

Para enfrentar uma corrida cambial que começou no fim de abril e que provocou uma desvalorização da moeda de quase 35% no decorrer do ano, o FMI concedeu à Argentina um crédito stand by de 50 bilhões de dólares, o maior já estabelecido por este organismo.

O crédito tem vigência de três anos e, em troca, a Argentina se compromete a reduzir a zero em 2020 seu déficit fiscal, que no ano passado foi de 3,9% do PIB.

Para isso é necessário interromper as obras públicas, reduzir o tamanho do Estado e limitar as transferências às províncias.

Como previsão, o acordo contém uma cláusula que permite ao Estado elevar o gasto em projetos sociais no caso de aumento da pobreza, que em 2017 atingiu 25%.

O desemprego chegou a 9,1% no primeiro trimestre do ano, contra 7,2% no último trimestre de 2017.







Fonte: G1