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Confrontos em Gaza deixam mais de 50 mortos no dia em que EUA inauguram embaixada em Jerusalém
Donald Trump cumpre polêmica promessa de mudar representação diplomática no dia em que Israel completa 70 anos.
Confrontos na fronteira com a Faixa de Gaza deixaram mais de 50 palestinos mortos. Manifestantes palestinos correm para se proteger de tiros e bombas de gás atiradas por tropas israelenses durante protesto na fronteira entre Israel e Gaza contra a inauguração de embaixada dos EUA em Jerusalém (Foto: Ibraheem Abu Mustafa/Reuters)






Os Estados Unidos inauguraram sua embaixada em Jerusalém nesta segunda-feira (14), dia em que o Estado de Israel completa 70 anos e em que confrontos na fronteira com a Faixa de Gaza deixaram dezenas de mortos.

Os palestinos protestam na fronteira desde o dia 30 de março, na chamada Grande Marcha do Retorno, que evoca o direito dos palestinos de voltarem para os locais de onde foram removidos após a criação do Estado de Israel, em 1948. Nesta segunda, ainda protestam contra a inauguração da representação diplomática dos EUA em Jerusalém.

Até as 19h30, pela hora de Brasília, havia 58 mortos, segundo autoridades palestinas. O Ministério da Saúde palestino informou ao jornal "Haaretz" que há mais de 2200 feridos. De acordo com o embaixador palestino na ONU, entre os mortos há 8 crianças com menos de 16 anos.

O premiê israelense Benjamin Netanyahu defendeu o uso da força na Faixa de Gaza: “Todo país tem a obrigação de defender o seu território. A organização terrorista Hamas proclama a sua intenção de destruir Israel e envia com esse fim milhares de pessoas para forçar a fronteira”, disse pelo Twitter reiterando que Israel segue atuando “com determinação” para impedir isso.

A Casa Branca também culpou o Hamas pela violência e afirmou que Israel tem o direito de se defender.

Ivanka Trump inaugura embaixada dos EUA em Jerusalém nesta segunda-feira (14) (Foto: Ronen Zvulun/Reuters)

Ivanka Trump inaugura embaixada dos EUA em Jerusalém nesta segunda-feira (14) (Foto: Ronen Zvulun/Reuters)




Houve ainda protestos do lado de fora do prédio em que passa a funcionar a embaixada americana. A polícia tentou conter e afastar os manifestantes, e 14 pessoas foram detidas.

A cerimônia de abertura foi conduzida pelo embaixador americano em Israel, David Friedman.

Em uma mensagem gravada em vídeo, o presidente Donald Trump disse que era necessário "admitir o óbvio": que a capital de Israel é Jesusalém. Também afirmou que os EUA estão comprometidos com a paz na região.

"Os EUA continuam totalmente comprometidos em facilitar um acordo de paz duradouro. Os EUA sempre serão um grande amigo de Israel e um parceiro na causa da liberdade e da paz", disse Trump.


O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, disse que estava "profundamente emocionado e profundamente grato".

"Que dia glorioso. Lembrem este dia. Que dia histórico!", afirmou.




Confrontos em Gaza

Na fronteira com a Faixa de Gaza, milhares de palestinos se reuniram em diversos pontos e pequenos grupos se aproximaram da cerca de segurança vigiada por soldados israelenses. Os grupos tentaram avançar contra a barreira e lançaram pedras na direção dos soldados, que responderam com tiros.


Palestinos correm para se proteger de bombas de gás atiradas por tropas israelenses na fronteira entre Gaza e Israel após protestos contra a inauguração da embaixada dos EUA em Jerusalém (Foto: Mahmud Hams/AFP)

Palestinos correm para se proteger de bombas de gás atiradas por tropas israelenses na fronteira entre Gaza e Israel após protestos contra a inauguração da embaixada dos EUA em Jerusalém (Foto: Mahmud Hams/AFP)




Após os confrontos, o Exército de Israel anunciou que lançou bombardeios contra alvos do Hamas, o movimento islâmico palestino que governa a Faixa de Gaza. "Os aviões atacaram os postos militares do Hamas perto de Jabalia, depois que as tropas receberam disparos vindos do norte da Faixa. Nenhum soldado ficou ferido", indicou o exército em comunicado.



Reação internacional


A Autoridade Palestina acusou Israel de cometer um "massacre horrível" na fronteira. A Anistia Internacional pediu a Israel o fim da "abominável violação" dos direitos humanos na Faixa de Gaza. A OLP (Organização para a Libertação da Palestina) anunciou uma greve geral nos territórios palestinos para esta terça, em luto pelo "martírio" na Faixa de Gaza.

O alto comissário para os Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra'ad Al Hussein, reagiu sobre os confrontos em Gaza dizendo: "A morte chocante de dezenas de pessoas e os centenas de feridos por tiros de munição real em Gaza devem parar imediatamente, e os autores dessas violações flagrantes dos direitos humanos devem ser responsabilizados".

A União Europeia pediu "máxima moderação" depois das mortes em Gaza. O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou a violência das forças armadas israelenses contra os manifestantes palestinos durante conversas por telefone com o presidente palestino Mahmoud Abbas e o rei Abudllah da Jordânia.

O governo da África do Sul retirou até segunda ordem seu embaixador de Israel e o governo da Turquia chamou para consultas seus embaixadores em Tel Aviv e Washington.

Os países árabes solicitaram, através do Kuwait, uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU, que deve ser realizada na terça-feira.


Palestino carrega no colo um companheiro manifestante ferido durante confronto com tropas israelenses perto da fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel, no dia da abertura da Embaixada dos EUA em Jerusalém (Foto: Mahmud Hams/AFP)




AFP