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Dólar sobe a R$ 3,62, maior nível em mais de dois anos, com cena política e exterior
Nem mesmo a atuação reforçada do Banco Central foi capaz de segurar a moeda, que avançou 0,76%
O patamar após a alta de 0,76% é o maior em pouco mais de dois anos.

FOTO: AFP





O dólar subiu e fechou esta segunda-feira no patamar de 3,62 reais, o maior em pouco mais de dois anos, sob influência do cenário externo e de uma pesquisa eleitoral que indicou a preferência por candidatos que os investidores enxergam como menos comprometidos com ajuste fiscal.

Nem mesmo a atuação reforçada do Banco Central no mercado de câmbio foi capaz de segurar o dólar, que só nas últimas três semanas acumulou ganhos de 5,54 por cento.

O dólar avançou 0,76 por cento, a 3,6281 reais na venda, maior patamar de fechamento desde 7 de abril de 2016 (3,6937 reais).

Na máxima da sessão, a moeda norte-americana foi a 3,6416 reais. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,80 por cento.

"O mercado não gostou da pesquisa. Ciro cresceu... Marina está em segundo lugar", afirmou gestor de derivativos de uma corretora local.

Pesquisa de intenção de voto CNT/MDA divulgada nesta manhã mostrou que, num cenário sem a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como candidato, Jair Bolsonaro (PSL) aparece com 18,3 por cento, à frente de Marina Silva (Rede), com 11,2 por cento, e com Ciro Gomes (PDT), em terceiro, com 9 por cento.

No levantamento de março, Bolsonaro tinha 20 por cento no cenário sem Lula, enquanto Marina aparecia com 12,8 por cento e Ciro tinha 8,1 por cento.

A poucos meses das eleições presidenciais de outubro, o quadro ainda é incerto. Investidores temem que um candidato que considerem menos comprometido com o ajuste fiscal desponte como favorito.

A atuação mais reforçada do BC no mercado de câmbio acabou tendo efeito limitado à abertura dos negócios, quando o dólar foi negociado em baixa e chegou à mínima de 3,5732 reais no dia.

Na sexta-feira, após o fechamento dos mercados, o BC anunciou oferta nova de 5.000 contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda no mercado futuro, além do leilão de rolagem do vencimento de junho.

"Com esta nova postura, o BC terá ainda liberdade para, eventualmente, promover intervenções mais flexíveis e, eventualmente, mais agressivas", escreveu o chefe de multimercados da gestora Icatu Vanguarda, Dan Kawa, em relatório.

Até então, o BC vinha fazendo único leilão por dia, no total de 8,9 mil contratos que, se tivesse sido mantido todos os dias até o encerramento do mês, rolaria o total de junho de 5,650 bilhões de dólares e ainda injetaria 2,8 bilhões de dólares adicionais. Os novos contratos, até então, só entrariam no sistema quando fosse concluída a rolagem do vencimento do mês que vem.

Nesta sessão, o BC vendeu integralmente a oferta de até 5 mil novos swaps. E também a até 4,225 mil para rolagem, já somando 3,326 bilhões de dólares do 5,650 bilhões de dólares que vencem em junho.

Se mantiver e vender esse volume diário até o final do mês, o BC terá rolado integralmente os contratos que vencem no mês que vem.

No mercado externo, o dólar subia ante a cesta de moedas e ante as divisas de países emergentes, como os pesos mexicano e chileno.

"A mudança de direção do dólar lá fora e a Argentina contribuíram para o avanço do dólar ante o real, que já estava sensível com a pesquisa eleitoral", comentou o operador de câmbio de uma corretora local.

Nesta sessão, o peso argentino exibiu forte queda ante o dólar, apesar das negociações em Washington que visam garantir um acordo de financiamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) destinado a estabilizar o mercado local.



Fonte: Reuters - Por Claudia Violante